terça-feira, 5 de maio de 2009

QUANDO FUI UM "PUTO"

Estou em cama deitado,
Acordado, Pensativo,
Lembrando os bons momentos,
Os alegres pensamentos,
Os azares, os sentimentos.
As correrias, que aos pares,
Pela praia fazíamos,
Perseguindo as gaivotas,
E outras aves que havia.


Agora recordo o Queirós,
Aquele das pernas tortas,
Que corria mais que nós.
Por onde ele andará
Passados tantos anos?
Com as ideias que tinha,
Ou na Florida ou no Brasil
É onde terá casinha!


Também me lembro da Bia
Que connosco jogava à bola.
Subia às árvores sozinha,
E nós todos cá em baixo
De olhos esbugalhados,
Não fosse ela cair…!
(Dizendo que não lhe víamos as pernas,
Era estar a mentir!)


O António foi o primeiro
Que aprendeu a nadar,
A andar de bicicleta,
De patins e até a voar
Quando caiu do alpendre
E ao chão foi parar.
Valeu-lhe o fardo de palha
Que ali estava a “dormir”
Que lhe aparou a queda
Para ele não se ferir.


Do Manel, gordo e corado
Pouco há a relatar;
Estava sempre sentado
A ver os outros a jogar.
Gostávamos de o ter
Sempre em companhia,
Pois do pai, comerciante
Dono da mercearia,
Rebuçados e caramelos
Nos bolsos sempre trazia.
E tal era a quantidade
Que a todos satisfazia.


A Amélinha, toda gira,
Sempre muito bem vestida,
Só brincava com bonecas,
Mas nunca se importava
De nos mostrar as cuecas.
Tivessem bonecos ou folhos,
Ou outras decorações,
Dizia a toda a gente,
Que éramos as suas paixões.
E o mais interessado
Era o Luis calmeirão
Que com ela se casou
Há uns anos, no verão.


Do Alberto não esqueço
Daquele dia de sol,
Quando fomos roubar figos
Para os lados do farol.
Apareceu o “ti Jaquim”
Dono daquelas figueiras,
Que, gritando e berrando,
Nos correu à pedrada,
No Alberto acertando
Com um calhau voador.
Mas sem um grito de dor
Lá continuou correndo,
Até chegar a casa da avó Leonor
Que lhe pregou uns tabefes
Pela tropelia feita.
Mas que vendo bem a coisa,
Também foram por amor!


O Joaquim era esperto,
Talvez mesmo, inteligente;
Devia ter os seus motivos
Para não brincar com a gente.
Aos domingos ia à missa
Todo vestido a preceito;
Ia pela mão da mãe
(que tinha um grande peito).
Mas tinha uma coisa boa,
A Joana sua irmã;
Uma linda moreninha
Com olhos de avelã!


Estive com ela uma vez
Atrás do chafariz,
E se mais não me beijou
Foi porque ela não quis!
E eu, desengonçado,
Magro que nem um cão,
Nem sequer calças tinha;
Andei sempre de calção.
Franzino e pouco esperto,
Dei-me com toda a gente.
Não sou rico nem “doutor”!
Sou o que sou e não lamento.

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